domingo, 22 de janeiro de 2012

Só mais ‘cinco minutinhos’...

Portadores do gene ABCC9 tem necessidade de dormir mais

Pessoas que possuem o gene ABCC9 precisam de dormir em média mais 30 minutos por noite do que as que não o têm, concluiu estudo.


De acordo com a BBC, a investigação aponta que um em cada cinco europeus é portador do gene que está associado a uma maior necessidade de sono.
Os cientistas da Universidade de Edimburgo, na Escócia, e da Universidade Ludwig Maximilians, na Alemanha, dizem que a descoberta pode ajudar a explicar comportamentos associados ao sono, como a necessidade de dormir que varia de pessoa para pessoa.

Por exemplo, a ex-primeira-ministra britânica, Margaret Thatcher, era conhecida por precisar de apenas quatro horas de sono por noite, enquanto o cientista Albert Einstein precisava de 11 horas.

Padrão de sono

O estudo envolveu mais de dez mil pessoas de vários países europeus, como das Ilhas Orkney, Croácia, Holanda, Itália, Estónia e Alemanha.

O objetivo era descobrir como funcionava o padrão de sono dos participantes em dias livres, ou seja, quando não tinham de trabalhar ou tomar remédios para dormir.

Ao comparar os dados sobre padrão de sono com os resultados da análise genética, os investigadores concluíram que as pessoas que possuíam a variante ABCC9 precisavam de mais tempo de sono do que a média de oito horas.

Os cientistas investigaram depois de que forma esse gene influenciava o padrão de sono de moscas de fruta, que também carregam essa variante. E concluíram que as moscas sem o gene ABCC9 dormem três horas a menos do que as que carregam o gene.

Os próximos passos na investigação serão para procurar estabelecer exatamente de que forma a variante genética regula o tempo de sono necessário para cada indivíduo.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Propaganda direcionada: uma ou várias mensagens ?

Os usos e limitações da publicidade étnica

As minorias norte-americanas em breve representarão a maioria da população: por volta de 2045, de acordo com o último censo. E os publicitários já notaram isso. Muitos deles agora preferem anúncios interculturais que mostrem o que os consumidores negros, hispânicos e asiáticos-americanos têm em comum. Acredita-se que essa abordagem funcione bem com jovens, que muitas vezes ouvem as mesmas músicas, comem as mesmas coisas, e usam roupas parecidas independentemente de suas raízes étnicas.

Ogilvy & Mather, uma grande agência de publicidade, formou a OgilvyCulture em 2010 como uma unidade especializada em marketing intercultural. “O modelo da propaganda étnica não mudou desde os anos 60,” diz Jeffrey Bowman, chefe da OgilvyCulture. Foram as informações do censo que fizeram com que a Ogilvy mudasse seu modelo. Em 2010 o Burger King decidiu parar de usar agências especializadas em certas etnias, tais como a LatinWorks, que se especializava no mercado hispânico, para passar a se dirigir aos seus consumidores como um todo ao invés de usar uma abordagem segmentada.

Ainda assim alguns publicitários sentem que as diferenças entre as etnias permanecem um fator relevante.
McGhee Williams Osse, co-chefe executivo da Burrell, uma agência em Chicago que se especializa no mercado afro-americano, argumenta que a origem étnica é a chave da identidade das pessoas, muito mais do que educação, renda, religião, sexo e orientação sexual. Maurice Lévy, chefe da Publicis Groupe, a gigante francesa dona de 49% da Burrell, diz que publicidade étnica faz sentido para anunciantes muito grandes (que têm o dinheiro para pagar diferentes campanhas publicitárias ao mesmo tempo), ou muito específicos. Um fabricante de creme para pele negra, por exemplo, provavelmente não tem interesse em tentar vendê-lo para asiáticos.

Chegar à perspectiva apropriada quanto a etnias não é fácil. Os hispânicos são bem variados. Um anúncio adorado por cubanos-americanos pode irritar imigrantes da Venezuela. Os asiáticos não podem ser descritos como monolíticos, também. Até mesmo os slogans mais sagazes para coreanos só conseguiriam causar desconforto na Chinatown de Nova York.

Fontes: The Economist - One message, or many?

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Jovens enviam cerca de 100 SMS e passam meia hora ao celular por dia

Jovens utilizam o celular para falar, enviar sms e ouvir música.

Cada adolescente envia diariamente, em média, uma centena de mensagens escritas (SMS) e passa meia hora ao celular, segundo revela um estudo hoje divulgado por um projeto promovido pelo Instituto Superior Técnico (IST).

Realizado no ano letivo 2010/2011 com base nas respostas de quase 2.500 alunos, a pesquisa revelou que apenas um em cada 200 jovens não tem telefone celular e a maior parte (30 %) recebeu o primeiro aparelho aos dez anos. Mais de 23 % disse, contudo, ter começado a utilizar o equipamento antes dessa idade.

Quanto à utilização dada aos telefones cellares, os estudantes, na maioria com idades entre as 15 e os 17 anos, disseram usá-los em níveis iguais para telefonar (97,6 %) e enviar SMS (97,7 %), mas também para ouvir música (81,1 %) ou jogar (52,3 %).

Embora quase três em cada quatro adolescentes (78,3 %) utilizem apenas um aparelho, 17,7 % disseram usar dois e 3,6 % disseram dispor de três ou mais aparelhos.

O estudo insere-se num projeto do IST denominado monIT, que tem por “principal objetivo” disponibilizar publicamente informação relevante sobre radiação eletromagnética em comunicações móveis.

Neste âmbito, mais de metade (55,8 % ) dos jovens pesquisados mostraram-se preocupados com os possíveis efeitos do uso do celular na saúde, 31,2 % afirmaram que não e 13 % disseram não ter opinião. Já quando interrogados sobre se já procuraram informação sobre o tema, apenas um em cada cinco (19,8 %) respondeu afirmativamente.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Sexo e propaganda no divã

Como Ernest Dichter, assistente de Sigmund Freud, revolucionou a publicidade


O formato fálico dos batons aumentou as vendas

Estes são tempos emocionantes para a pesquisa comportamental. Toda semana parece desvendar uma nova descoberta sobre como as pessoas são irracionais na hora de tomar decisões. Os seres humanos, pelo visto, são impressionáveis, emocionais e ilógicos. Nós compramos coisas que não precisamos, muitas vezes por preços arbitrários e razões tolas. Mas estas observações não são novidade. Analistas vêm estudando os instintos abobados do homem moderno por décadas. Sigmund Freud elaborou o argumento de que as pessoas são governadas por impulsos irracionais inconscientes há mais de um século. E nos Estados Unidos, nos anos 30, outro psicólogo de Viena chamado Ernest Dichter transformou essa percepção em um negócio de um milhão de dólares. Sua genialidade estava em enxergar a oportunidade que o consumismo irracional oferecia para o vendedor inteligente.


Ernest Dichter transformou as teorias de Freud em estratégias de marketing

Entre o final dos anos 30 e os anos 60 Dichter se tornou famoso por transformar os destinos de negócios como Procter & Gamble, Exxon, Chrysler, General Mills e DuPont. Sua ideia mudou a forma como centenas de produtos eram vendidos, de carros a misturas para bolo. Ele foi pioneiro em técnicas de pesquisa, tais como as discussões em pequenos grupos (focus groups, em inglês), compreendeu o poder da persuasão boca-a-boca e recebeu fortunas surpreendentes por suas teorias. No final dos anos 50 seus negócios atingiram um volume anual de um milhão de dólares (equivalente a oito milhões hoje emdia), e sua reputação era como a de um Freud da era dos supermercados.

Para entender o que realmente motivava as pessoas, Dichter dizia, era necessário fazer com que elas falassem por longos períodos de tempo sobre seus hábitos cotidianos. Ao invés de submeter muitas pessoas a questionários rápidos, ele preferia uma abordagem psicanalítica profunda com menos participantes: “Se você deixar que alguém fale por tempo o suficiente, você é capaz de ler as entrelinhas e descobrir o que ela realmente quer dizer.”

O consumidor no divã

O que torna sabão interessante? Por que escolher uma marca ao invés da outra? O primeiro contrato de Dichter foi com a agência de publicidade Comton, para ajudá-los a promover a marca de sabão Ivory. As pesquisas de mercado normalmente envolveriam perguntar aos consumidores coisas como “Por que você usa essa marca de sabão?” Ou, de forma mais provocadora, “Por que você não usa essa marca de sabão?”Dichter considerava essas perguntas irrelevantes, e preferia conduzir uma centena de assim chamadas “entrevistas profundas”, ou conversaslivres, sobre as experiências mais recentes de seus entrevistados.

A abordagem não era diferente de uma terapia, com Dichter tentando desencavar nas respostas indicações de motivos e desejos inconscientes codificados. No caso do sabão, ele descobriu que o banho era um ritual que proporcionava momentos de rara indulgência pessoal, em especial antes de um encontro romântico (“Nunca se sabe,” explicou uma mulher). Ele discerniu um elemento erótico no banho, observando que “uma das poucas ocasiões em que o norte-americano puritano pode acariciar o próprio corpo é enquanto passa sabão.” Quanto à razão dos consumidores escolherem uma marca em especial, Dichter concluiu que não era exatamente o cheiro ou o preço ou a aparência do sabão, mas tudo isso e algo além disso – isso é, a gestalt ou “personalidade” do sabão.


Fique mais limpo com Ivory Soap!

Essa era uma grande ideia. Dichter entendeu que todo produto tem uma imagem, até mesmo uma “alma”, e é comprado não apenas para servir aos fins que lhe são próprios, mas por causa dos valores que ele parece personificar. Nossas propriedades são extensões das nossas personalidades, que servem como “uma forma de espelho que reflete nossa própria imagem”. A mensagem de Dichter para os publicitários foi: descubra a personalidade de um produto, e você vai entender como anunciá-lo. Sabonetes podiam ser velhos ou jovens, provocantes ou conservadores. Ivory, Dichter inferiu, tinha uma personalidade “sombria, utilitária, de limpeza cuidadosa e completa”. Tais percepções levaram aos slogans “Be smart and get a fresh start with Ivory Soap” – “Seja esperto e obtenha um novo começo com o sabonete Ivory.”

O caso de Dichter é uma mistura fascinante de ideias pouco convencionais e soluções agora tornadas convencionais. Para aumentar as vendas de máquinas de escrever, ele sugeriu que as máquinas fossem modeladas com base nas formas do corpo feminino, “tornando o teclado mais receptivo, mais côncavo”. As pessoas fumam, ele explicou, porque o cigarro é ao mesmotempo um símbolo de virilidade e uma desculpa legítima para interromper o dia por um momento de prazer, “comparável a chupar os mamilos dos gigantescos seios do mundo”. O formato fálico dos batons aumentou as vendas porque oferecia um convite subconsciente ao sexo oral (“mas é preciso tomar cuidado para não exagerar o tornar o paralelo óbvio demais,” alertou Dichter). As ameixas tinham um problema de imagem por serem vistas como um “símbolo da velhice”, como “solteironas enrugadas”.Para aumentar a demanda, Dichter sugeriu que elas fossem rotuladas como a “Fruta-Maravilha da Califórnia” e apresentassem ameixas frescas e suculentas nos pacotes. Desde então ameixas secas têm sido vendidas com as imagens de suas semelhantes mais jovens.


Nos postos Esso, colocamos um tigre no seu motor!

De volta a Viena

No início dos anos 60 a análise Freudiana estava em decadência. A cura através da fala de repente parecia vaga demais, muito pouco científica e por vezes estranha demais. Isso prejudicou o mercado para as ideias de Dichter, que eram muitas vezes profundas, mas ocasionalmente bizarras e impossíveis de se validar ou refutar. O aparecimento dos computadores nos anos 60 introduziu novos métodos quantitativos de se pesquisar o comportamento dos consumidores, o que prometia maior pureza científica.

Enquanto isso o desenvolvimento das ciências cognitivas no final dos anos 50 até os anos 70 oferecia novos métodos empíricos para se considerar coisas como memória e capacidade de resolução de problemas. Quando chegaram aos anos 80 cientistas dedicados a explorar o funcionamento do cérebro começavam a examinar como as pessoas processavam informação e tomavam decisões.

Porém desenvolvimentos mais recentes da neurociência inspiraram novos questionamentos acerca de instintos e desejos, profecias inconscientes e decisões impulsivas. Novas informações sobre a cognição humana trouxeram asciências exatas de volta para o mesmo tipo de problemas com os quais os psicanalistas de Viena se ocupavam há mais de um século.

“Nós completamos o círculo,” confirma Baba Shiv, diretor do Departamento de Gestão Estratégica de Marketing da Universidade de Stanford. “As emoções estão de volta, o inconsciente está de volta.” Agora está na moda estudar ondas cerebrais para ver o que é ativado quando se ouve as palavras “Coca Cola”, ou medir a dilatação das pupilas em reação a logotipos de marcas. Mas esses estudos não explicam por que algo acontece, ou que efeito isso pode ter no mundo real. Ao invés disso, eles abrem um campo para novas hipóteses, novos saltos de fé, novas formas de se contar histórias sobre as escolhas irracionais que as pessoas fazem. O comportamento humano permanece um mistério, e ainda não existe uma forma certa de se persuadir o público acomprar uma determinada marca de sabão. Ernest Dichter também sabia disso, mas suas histórias sobre o que nos motivas ainda são as melhores que se pode encontrar por aí.

Fontes: Economist - Retail Therapy

sábado, 17 de dezembro de 2011

Amizade via internet mostra nova forma de estar junto

É senso comum dizer que o computador não substitui a experiência real de relacionamento com outras pessoas. Mesmo assim, é possível conhecer alguém e manter uma amizade virtual autêntica. “Há uma mudança da concepção da amizade neste início de século 21. A amizade é um relacionamento que se dá cada vez mais no âmbito do compartilhamento e troca de ideias. O amigo não é necessariamente aquele que está ao lado, mas alguém com quem o estar junto se dá por meio de uma conversa, da troca de opiniões, experiências e concepções de pensamento”, afirma a psicóloga Lívia Godinho Nery Gomes Azevedo, autora do estudo Implicações políticas das relações de amizades mediadas pela internet, defendido em 2010 no Instituto de Psicologia (IP) da USP.




Segundo ela, as amizades virtuais, assim como as convencionais, favorecem o aumento da reflexão e da ação dos sujeitos a partir do que o outro fala. “A autenticidade dos afetos nas relações mediadas pela internet revela uma nova maneira de estar junto na qual os sujeitos são mutuamente afetados pelas trocas simbólicas que se dão no registro discursivo das conversas online. Os intercâmbios de experiências e opiniões suscitam transformações subjetivas que modificam formas de pensamento e que podem instaurar o aumento da potência de agir”, diz.

Etnografia Virtual

A pesquisadora, que atualmente é professora na Universidade Federal de Sergipe (UFS), utilizou-se de uma metodologia chamada etnografia, que envolve ir a campo e conhecer as pessoas ambientadas nas relações ou situações a serem estudadas. “O método da pesquisa foi a etnografia virtual. Conheci e conversei com as pessoas pela internet”, conta. A divulgação do estudo também foi feita pela internet. “Enviei uma mensagem explicando a proposta do estudo para os meus contatos. As pessoas foram divulgando, inclusive para gente que eu não conhecia, e algumas entraram em contato, disponibilizando-se a fazer parte da pesquisa”.

Lívia diz que esperava conversas curtas e com palavras abreviadas, mas foi surpreendida com entrevistas virtuais de em média uma hora e 45 minutos de duração. “As conversas me mostraram que as relações podem ser duradouras e que há autenticidade afetiva nelas. Também, as novas tecnologias favorecem o encontro entre as pessoas”, revela. Segundo ela, alguns dos entrevistados mantinham projetos profissionais e artísticos com amigos virtuais. “Uma menina, que era atriz, contou que conheceu uma amiga pela internet. Ambas moravam na mesma cidade mas nunca se encontraram, mas uma escrevia roteiro e enviava para a outra, por exemplo. Outro entrevistado conseguiu montar uma banda com gente que conheceu pela internet”.

Perfil dos Entrevistados

Ao todo foram 14 entrevistados. Todos eram adultos, tinham em média 24 anos e moravam em diversas cidades, como São Paulo, Belém (PA), Campina Grande (PB), Andradas (MG), Brasília (DF), Manaus (AM), Montes Claros (MG) e até Florença (Itália). “A menina que morava na Itália era brasileira e contou que a internet a ajudou a conhecer outros brasileiros que moravam por lá também. Isso ajudou na sua rede de acolhimento no novo país”, conta Lívia. Os entrevistados também exerciam as mais diversas profissões. Havia entre os entrevistados uma advogada, duas atrizes, dois jornalistas, três psicólogos, dois estudantes, uma fisioterapeuta, uma assistente de qualidade, uma desempregada e um produtor audiovisual.

Segundo a autora, as relações de amizades mediadas pela internet têm como especificidade uma intensa troca de opiniões que mobilizam os amigos a refletir. “As pessoas são instigadas a pensar e encontram-se implicados na exercício político de considerar a opinião do outro. De fato, neste tipo de relação, quando o interlocutor é considerado amigo é porque de algum modo o que ele fala e pensa já sensibilizou ou afetou o seu outro”, afirma. Em outras palavras, a designação de amizade, nas relações mediadas no ciberespaço, articula-se com o fato de que os corpos consideram e são afetados por aquilo que o outro diz nas conversas online. “Os sujeitos destacam que em suas relações de amizades travadas pela internet
o amigo ajuda a refletir e a esclarecer dúvidas, colabora na tomada de decisão bem como na relativização do pensamento”.

Lívia ainda afirma que cada vez mais as relações sociais estão sendo mediadas pelas tecnologias da informática. “Muitas pessoas não têm acesso à internet e, por isso, acabam excluídas, não podendo exercer plenamente sua cidadania. O não acesso a serviços que são oferecidos exclusivamente via internet, bem como a dispositivos tecnológicos cada vez mais presentes em todas as esferas da vida cotidiana conduzem a novos territórios de exclusão”, explica.

Matéria de Victor Francisco Ferreira publicada na Agência USP de Notícias